A amamentação começa, na maioria dos casos, na própria sala de parto. Se a mãe e o bebê estiverem bem, o recém-nascido é colocado em contato pele a pele sobre o peito da mãe nos primeiros minutos de vida: o calor, o cheiro e o contato ativam os reflexos de busca e sucção do bebê e facilitam o início da primeira mamada. A OMS e o UNICEF recomendam que a primeira mamada ocorra dentro da primeira hora de vida. Se está se preparando para o retorno a casa após o parto, consulte também o guia sobre o parto e a bolsa maternidade.
Nos primeiros dias de vida, as mamas produzem colostro: um leite espesso, amarelado e de volume pequeno que é exatamente o que o recém-nascido precisa. O colostro é concentrado em anticorpos, fatores de crescimento e imunoglobulinas, além de ser fácil de digerir. Um recém-nascido saudável a termo tem reservas de glicose e líquidos suficientes para os primeiros dias — não precisa de água, soro glicosado ou fórmula como rotina.
A quantidade de colostro parece pequena (5 a 7 ml por mamada no primeiro dia), mas o estômago do recém-nascido tem a capacidade de uma bola de gude: essa quantidade é suficiente. O leite de transição aparece entre o terceiro e o quinto dia, quando as mamas se enchem de forma notória. O leite maduro chega entre duas e três semanas. Essa progressão é normal e esperada — não é sinal de "não ter leite".
Uma boa pega significa que o bebê toma uma boa porção de aréola — não apenas o mamilo — dentro da boca. Os sinais de uma pega correta:
Um leve desconforto nos primeiros dias é habitual enquanto o tecido do mamilo se adapta. O que não é normal é uma dor intensa desde o início da mamada, fissuras, sangramento no mamilo, estalos ao sugar ou o bebê se soltar repetidamente. Esses sinais indicam que a pega precisa de ajuste: peça avaliação de uma enfermeira, consultora de amamentação ou médica antes que o problema piore.
Os recém-nascidos precisam mamar com muita frequência porque o leite materno é digerido rapidamente e o estômago é pequeno. Nas primeiras semanas, a maioria dos bebês mama entre 8 e 12 vezes em 24 horas — alguns mais —, o que equivale a uma mamada a cada 1,5 a 3 horas. A amamentação em livre demanda significa oferecer o peito sempre que o bebê mostrar sinais de fome, sem seguir um horário fixo.
Os sinais precoces de fome são: agitação, movimentos de busca (rooting), levar as mãos à boca e abrir a boca. O choro é um sinal tardio, e um bebê que chora de fome é mais difícil de pegar no peito. Ofereça o peito assim que notar os primeiros sinais.
As mamadas em salva (cluster feeding) — períodos de várias horas em que o bebê pede o peito muito frequentemente, muitas vezes à tarde ou à noite — são normais e não indicam que "você não tem leite suficiente". É a forma que o bebê tem de estimular a produção para os próximos dias. A produção se ajusta à demanda.
A pergunta mais frequente nos primeiros dias. Os sinais de que a amamentação está funcionando bem:
Consulte o seu pediatra ou a equipe de saúde de forma urgente se o bebê estiver muito sonolento e difícil de acordar para as mamadas, tiver a boca seca ou chorar sem lágrimas, tiver menos fraldas molhadas do que o esperado, se a icterícia aumentar, ou se a perda de peso for maior de 10% ou não se recuperar.
No Brasil, a crença de que "não tenho leite suficiente" é uma das causas mais frequentes de abandono precoce da amamentação. Na grande maioria dos casos, a produção de leite é adequada — o problema está na pega, na frequência das mamadas ou na transferência de leite.
A produção de leite funciona por oferta e procura: quanto mais frequentemente e com mais eficácia o bebê (ou uma bomba extratora) retira leite da mama, mais leite o corpo produz. Pular mamadas, oferecer mamadeiras de fórmula sem orientação de uma consultora de amamentação ou não colocar o bebê ao peito com frequência suficiente são as causas mais comuns de produção real insuficiente.
Os sinais de que a produção pode de fato ser insuficiente: o bebê não recupera o peso de nascimento em duas semanas, não produz as fraldas molhadas esperadas ou está visivelmente desidratado. Nesses casos, a avaliação por uma consultora de amamentação ou pelo pediatra é urgente e pode identificar a causa.
Mamilos doloridos e fissuras: quase sempre têm origem numa pega incorreta. Corrigir a posição do bebê costuma resolver o problema. Enquanto a pele se recupera, pode-se aplicar leite materno sobre os mamilos ao terminar cada mamada e deixar secar ao ar. Cremes de lanolina pura são uma opção; não é necessário removê-los antes de mamar. Se a dor for intensa ou as fissuras não melhorarem em 48 horas com o ajuste da pega, peça ajuda a uma consultora de amamentação.
Ingurgitamento mamário: entre o terceiro e o quinto dia pós-parto, as mamas podem ficar muito cheias, duras, quentes e dolorosas. Mamar com frequência é o melhor tratamento. Se a mama estiver tão dura que o bebê não consiga pegar, retire manualmente uma pequena quantidade de leite para amaciar a aréola antes de oferecer o peito. Uma compressa fria entre as mamadas pode aliviar o desconforto.
Mastite: inflamação do tecido mamário que pode causar uma área vermelha, quente e dolorosa na mama, acompanhada de febre, calafrios e sensação de gripe. Pode ocorrer em qualquer momento da amamentação, mas é mais frequente nas primeiras semanas. O tratamento inclui continuar retirando leite da mama afetada (não parar de amamentar), descanso, hidratação e, se não melhorar em 12 a 24 horas ou se houver febre alta, antibióticos prescritos pelo médico. Não espere piorar: a mastite sem tratamento pode evoluir para abscesso que requer drenagem cirúrgica.
A extração de leite — com bomba elétrica, manual ou à mão (ordenha manual) — permite que outro cuidador alimente o bebê com leite materno na ausência da mãe, facilita o regresso ao trabalho e pode ser usada para aumentar a produção ou aliviar o ingurgitamento.
Tempos de armazenamento do leite materno extraído em condições normais:
O leite descongelado deve ser usado em 24 horas; não deve ser recongelado. Para aquecê-lo, use um recipiente com água morna; nunca o microondas, que destrói nutrientes e cria pontos quentes desiguais.
A amamentação é uma habilidade aprendida — tanto pela mãe quanto pelo bebê. Pedir ajuda cedo é o mais prático, não um sinal de fracasso. As situações em que deve procurar apoio sem esperar:
As consultoras de amamentação certificadas (IBCLC) são os profissionais com maior formação específica em amamentação. Também podem ajudá-la enfermeiras, médicas e os grupos de apoio à amamentação. No Brasil, os Bancos de Leite Humano (BLH) — coordenados pela Fiocruz e pelo Ministério da Saúde — são um ponto de referência para apoio à amamentação e para doação de leite materno: o Brasil tem a maior rede de bancos de leite do mundo, com mais de 220 unidades. Pergunte na sua UBS ou maternidade onde fica o mais próximo de você.
Colostro – primeiro leite produzido pelas mamas desde o terceiro trimestre até os primeiros 2 a 4 dias pós-parto. É espesso, amarelado e de volume pequeno (5 a 7 ml por mamada no primeiro dia), mas concentrado em anticorpos, imunoglobulinas, fatores de crescimento e proteínas. Protege o intestino do recém-nascido, promove a eliminação do mecônio e fornece imunidade passiva. O volume pequeno não indica escassez — é exatamente o que o recém-nascido precisa nos primeiros dias.
Pega ou latch – a forma como o bebê se prende à mama para sugar. Uma boa pega implica que o bebê toma uma ampla porção de aréola dentro da boca (não apenas o mamilo), com os lábios virados para fora, o queixo tocando a mama e o nariz livre. A pega correta permite uma transferência eficaz de leite e previne mamilos doloridos e fissuras. É a intervenção mais importante nos problemas de amamentação.
Amamentação em livre demanda – prática de oferecer o peito sempre que o bebê mostrar sinais de fome, sem seguir um horário fixo. É o padrão recomendado pela OMS e pelo Ministério da Saúde do Brasil. A frequência típica num recém-nascido é de 8 a 12 vezes ou mais em 24 horas. A livre demanda garante que a produção de leite se ajuste às necessidades do bebê, que variam com as fases de crescimento.
Mastite – inflamação do tecido mamário, habitualmente por leite retido, um ducto bloqueado ou uma infeção bacteriana (geralmente por Staphylococcus aureus). Manifesta-se como uma área vermelha, quente, dolorosa e indurada na mama, acompanhada de febre, calafrios e mal-estar geral. O tratamento inclui esvaziamento frequente da mama, repouso, hidratação e, se não melhorar em 12 a 24 horas, antibióticos. Não é necessário parar de amamentar: o leite da mama afetada é seguro para o bebê.
Banco de Leite Humano (BLH) – unidade de saúde que coleta, pasteuriza, controla a qualidade e distribui leite materno doado para recém-nascidos prematuros e de baixo peso que não podem receber o leite da própria mãe. O Brasil tem a maior rede de BLH do mundo — mais de 220 unidades distribuídas em todo o território nacional, coordenadas pela Fiocruz e pelo Ministério da Saúde. Os BLH também funcionam como centros de apoio e orientação à amamentação para a comunidade.
O sinal mais confiável de que a amamentação está funcionando bem não é a sensação das mamas nem a quantidade de leite que você vê, mas o que sai do bebê. Conte as fraldas: ao 5º dia deve ter pelo menos 6 fraldas úmidas em 24 horas e fezes amarelo-douradas. O bebê também deve recuperar o peso de nascimento antes dos 14 dias. A sensação de 'não ter leite' sem esses sinais objetivos quase sempre se deve a uma pega incorreta ou a uma frequência de mamadas insuficiente.
Um desconforto leve nos primeiros dias é habitual enquanto o tecido do mamilo se adapta. O que não é normal é uma dor intensa desde o início da mamada, rachaduras, sangramento ou o mamilo sair achatado ou em formato de batom ao terminar a mamada. Esses sinais indicam uma pega incorreta. Corrigir a posição do bebê — garantindo que ele tome uma boa quantidade de aréola, não apenas o mamilo — costuma resolver o problema em 24 a 48 horas.
A mastite é uma inflamação do tecido mamário que se manifesta como uma área vermelha, quente, dolorosa e endurecida na mama, acompanhada de febre, calafrios e sensação de gripe. É mais frequente nas primeiras semanas de amamentação. O tratamento mais importante é continuar esvaziando a mama afetada com frequência (amamentando ou ordenhando): o leite é seguro para o bebê. Se não melhorar em 12 a 24 horas ou se tiver febre alta, você precisa de antibióticos prescritos pelo médico.
Sim. Ordenhar o leite e dar ao bebê na mamadeira é perfeitamente válido e permite que outras pessoas participem da alimentação. O mais recomendável é esperar que a amamentação esteja bem estabelecida (geralmente após 3 a 4 semanas) antes de introduzir a mamadeira, para evitar confusão de bicos quando a pega ainda está se consolidando.
A OMS e o Ministério da Saúde do Brasil recomendam o aleitamento materno exclusivo durante os primeiros 6 meses de vida. A partir dos 6 meses, o aleitamento pode continuar junto com a alimentação complementar até os 2 anos ou mais, enquanto for satisfatório para mãe e bebê.